Raça

O Pastor de Shetland

O Pastor de Shetland tem sua origem nas Ilhas Shetland, um grupo de 100 ilhas a cerca de 50 milhas da costa norte da Escócia e ao norte da Noruega, dentre as quais somente 25 são habitáveis. O arquipélago possui uma geologia acidentada, rochosa e esparso em vegetação. Os habitantes são uma combinação de raça nativa, de nórdicos e escoceses. Como a vida era dura e o alimento escasso, os moradores das ilhas selecionaram pequenos animais porque não havia espaço nem razão para alimentarem outros maiores.

Os cães locais eram conhecidos como o cachorro “Toonie”. A teoria por trás do nome é que, como muitos dos habitantes eram de ascendência norueguesa, a palavra para pequena fazenda é “Tun” ou “Toon”, daí o nome Toonie, ou pequeno cachorro de fazenda. O trabalho desse Sheltie não era apenas pastorear gado ou ovelhas, como comumente se pensa em todas as raças de pastoreio, mas também manter os pequenos pôneis, gado, ovelhas e aves fora dos jardins e canteiros de flores das casas dos habitantes locais, perseguindo e frequentemente latindo para tudo que se move, ansiosos para agradar e intensamente leais à família. Os cães eram selecionados por essas qualidades, bem como por sua capacidade de trabalho, resistência, coragem e inteligência – uma característica que ainda pode ser vista nos Shelties hoje em dia.
A visitação às ilhas era uma forma de subsistência dos habitantes que passaram a vender aos turistas seus cachorrinhos. Os “turistas” gostavam dos animais pequenos e fofinhos. O uso de um Cavalier King Charles Spaniel, black and Tan, deixado para trás por um iate visitante é mencionado por Catherine Coleman, e os Spitz Noruegueses também são mencionados com frequência. Outra raça citada é o Yakki, uma raça nativa de Groelândia trazida por barcos baleeiros. Outros contam que os Icelandic Sheepdog fizeram parte da criação do Shetland Sheepdog.
Referências remotas a esses cães das ilhas Shetland incluíam a palavra Collie como parte do nome original da raça porque eram os cães utilizados para o pastoreio das ovelhas de cara preta conhecidas como “Collie Sheeps”, portanto eram conhecidos como “Collie Dogs”.

Pow - retratado por Jean D. Simmonds

Shetland Collie

No final do século 19 e no início do século 20, alguns dos habitantes locais perceberam que a raça original estava desaparecendo. Cruzamentos com Collies, possivelmente incluindo Collies, começaram a ser feitos nas ilhas em um esforço para recuperar o tipo original (o Collie no final do século 19 não era o mesmo Collie que vemos nas exposições hoje, mas muito mais próximo do antigo Collie da fazenda). Shelties foram exibidos durante a primeira década do século até a Primeira Guerra Mundial. Criadores de Collie, que naquela época haviam refinado consideravelmente a aparência do atual Collie, não concordaram em chamar esses pequenos “SRD” de SHETLAND COLLIES, e alguns meses depois dos primeiros registros conseguiram induzir o Kennel Club a mudar o nome da raça para Shetland Sheepdog. O cruzamento que mais influenciou a formação do Shetland Sheepdog é o Collie.

O Primeiro Registro da Raça

O primeiro registro no Kennel Club foi Badenock Rose em março de 1909. Rose, que não aparece por trás dos Shelties modernos, foi registrada como Shetland Collie nasceu em 20 de novembro de 1907. Ao todo, 28 Shelties foram registrados em 1909, pelo menos 4 dos quais apareceram atrás dos atuais campeões: machos Lerwick Tim e Trim e das fêmeas Inverness Topsy e Inga.
O primeiro Shetland Sheepdog no Stud Book (Grã-Bretanha) foi Kilravock Laddie, filho de Inverness Topsy, publicado em 1914. Laddie representa a linhagem de pai IH (em homenagem a seu avô, Inverness Hoy) e foi o pai de Eng CH Walesby Select, que terminou seu campeonato após a Primeira Guerra Mundial e mais tarde foi exportado para os Estados Unidos. Select está por trás do Sheltie moderno por meio de vários de seus descendentes ingleses, mas a linha do pai acabou com ele.
Um total de 46 shelties apareceram no Stud Book até a edição de 1918. As linhagens e cores registradas fornecem alguns insights interessantes sobre o estado da raça naquela época. Metade dos cães eram tricolores. A próxima cor mais numerosa, com 11 registros era sable (marta), com e sem branco. O restante incluía 8 pretos e brancos, 3 pretos e castanhos e um azul, castanho e branco.
Lerwick Jarl (preto e branco) embora nunca tenha sido registrado no Kennel Club, seus descendentes foram os primeiros vencedores de exposição. Ele pode representar os primeiros resultados de cruzamento nas Ilhas Shetland como pequenos Collies de trabalho. O primeiro campeão dos Estados Unidos, já era campeão inglês e o único importado antes da Primeira Guerra Mundial que tem descendentes vivos hoje (descendentes gerados na Grã-Bretanha), CH Lerwick Rex, era irmão de Jarl.

Em 1915 uma nova linha começou a aparecer com Glebe Challenger e Suzanne de Mountfort, ambas geradas por um cão registrado em abril de 1914, como Wallace. A linha BB começou com Butcher Boy, sendo que um dos exemplares mais proeminentes foi Wallace.
Quando as exposições e reproduções foram suspensas em virtude da Primeira Guerra Mundial, a raça ainda não era forte o suficiente, em número ou qualidade e muitas linhagens proeminentes foram perdidas. Humphries, proprietária de Wallace e um dos poucos criadores ainda registrando cães durante a Guerra, deu um passo histórico, embora polêmico na época, e acasalou Wallace com Teena, descrito como Collie.

Os primeiros criadores reunidos

Sheltie Americano

Nos EUA a raça teve seu primeiro registro em 1911, tendo poucos registros após isto. Descende quase inteiramente de cães importados da Grã-Bretanha, entre a Primeira Guerra Mundial e a Segunda Guerra Mundial, geralmente descendentes próximos do cruzamento Chestnut Sweet Lady (collie). O cão mais influente nos pedigrees modernos dos EUA, CH Wee Laird O”Downfield e as três cadelas mais influentes; CH Ashbank Fairy, Natalie of Clerwood e Downfield Grete foram todos gerados por Eng CH Blaeberry de Clerwood.
O American Kennel Club reconheceu a raça em abril de 1911. Muitos cães importados, posteriormente, tinham Collies em seus pedigrees, sendo assim, o AKC não reconheceu esses Shelties como puros, para serem registrados. Um desses Shelties, inclusive, já era campeão na Inglaterra.
Nos EUA a raça teve seu primeiro registro em 1911, tendo poucos registros após isto. O Pastor de Shetland só se tornou um pouco mais conhecido, nos Estados Unidos em 1923, quando a Sra Byron Rogers importou 6 cães da Grã-Bretanha. Mas foi em 1924, quando Catherine Coleman começou com o afixo Sheltieland Kennels, com a aquisição da cadela Kilravock Lassie, que o pastor de Shetland se tornou mais popular. Sra Cooleman, uma das principais historiadoras da raça, pioneira na criação de shelties nos EUA e fundadora do “The American Shetland Sheepdog Association” (ASSA) em 1929.

Spock It To ‘Em - Pow
Halstors Peter Pumpkin (Peter)

O Pastor de Shetland, Chestnut Rainbow, nascido em 1922, é tido como o ancestral da maioria dos Shelties nos Estados Unidos. Os americanos reconheceram desde o início a influência dos Collies na raça, adotando em seu primeiro padrão de 1929 de que “A aparência geral… é a do Collie ideal em miniatura” (The general appearence…is that of the ideal Collie in miniature).
Aparentemente os padrões parecem ser muito próximos, mas a ideologia de que um deveria somente se assemelhar e outro ser como um Collie menor, fez com que os cães da América se desenvolvessem de forma diferente, enquanto os shelties ganhavam peso, mais pelagem e cabeças alongadas na América os cães europeus mantiveram características dos shetland’s collie, mantendo tamanhos menores, pelagem moderada lembrando um collie, mas principalmente cabeças menores e menos afiladas, tidas no padrão comentado para EUA como padrão antigo (old Type).

Um dos shelties mais relevantes para a raça foi sem dúvida “CH Halstors Peter Pumpkin ROM”, nascido em 1965, foi pai de nada menos que 160 campeões americanos, marca recorde até hoje, pertencia a Tom Coen e Steve Barger do canil Macdega, que também foram donos do “CH Chenterra Thunderation ROM”, nascido em 1973, teve 24 filhos campeões, além de obter a marca histórica de 220 melhores da raça, tendo permanecido durante 15 anos como o maior vencedor da história.
Outro criador de grande reputação surgiu nesta época é a Sra. Jean D. Simmonds, proprietária do canil Carmylie. Proprietária da avó paterna de “Peter”, “AM CH Kawartha’s fair game ROM”, nascida em 1958, e de um dos mais belos filhos do Peter Pumpkin, “BISS AM/CAN CH Carmylie Elusive Dream”.

Chenterra Thunderation (Thunder)
Cinco gerações de shelties linhagem Carmylie. Descendentes Carmylylie Tidal Wave “Breaker” Banchory Reflection

Outro exponente da época foi o canil Banchory da Sra Donna Harden e seu marido Clare Harden. Possuidora de uma habilidade natural para escolher acasalamentos de seus shelties, foi proprietária de grandes nomes da época, inclusive o segundo maior reprodutor da História “A/C CH Banchory High Born ROM”, com seus 82 filhos campeões.

Banchory High Born
Banchory Reflection
Banchory Formal Notice